巴西资讯巴西金融监管2026年5月8日
巴西议员涉收百万黑钱提FGC担保至100万雷亚尔,中资银行需警惕系统性风险
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Emenda "comprada" por dono do Master colocaria FGC em risco
巴西联邦警察调查发现,参议员西罗·诺盖拉收受Master银行老板每月30-50万雷亚尔贿赂,提出将FGC存款担保上限从25万雷亚尔提高至100万雷亚尔的修正案。该修正案已被否决,但暴露了金融体系脆弱性,在巴中资银行和投资者需关注存款安全与信贷成本变化。
为什么值得关注
FGC担保上限若提高至100万雷亚尔,将直接威胁在巴中资银行的大额存款安全,并推高信贷成本,影响中资企业融资环境。
巴西联邦警察在“合规零号行动”第五阶段中发现,进步党主席、参议员西罗·诺盖拉于2024年8月提出一项宪法修正案,拟将信用担保基金(FGC)的普通担保限额从25万雷亚尔提高至100万雷亚尔。警方调查显示,该修正案实际由Master银行老板丹尼尔·沃尔卡洛的顾问起草,诺盖拉每月收取30万至50万雷亚尔作为交换。该修正案已被参议院宪法司法委员会以违宪和技术不当为由否决,但事件暴露了FGC面临的巨大压力——截至2025年末,FGC现金储备1232亿雷亚尔中,已有574亿雷亚尔(46.6%)被用于Master集团及Will金融、Pleno银行的客户赔付预留。对于在巴西经营的中资银行和存款超过25万雷亚尔的企业客户,这一事件意味着存款保险上限可能成为政策博弈焦点,未来银行收费和贷款利率存在上行风险。
巴西联邦警察在周四(7日)发起的“合规零号行动”第五阶段中,揭露了一起涉及参议员与银行家之间的利益交换。参议员西罗·诺盖拉(PP-PI)于2024年8月提交了一项针对第65/2023号宪法修正案的修正案,主张将FGC的普通担保从目前的25万雷亚尔提高至100万雷亚尔。警方调查显示,该修正案实际由Master银行老板丹尼尔·沃尔卡洛的顾问起草,并交给诺盖拉以本人名义提交国会。作为交换,诺盖拉每月从沃尔卡洛处获得30万至50万雷亚尔,并享受国际旅行、住宿和餐饮等好处。沃尔卡洛曾对 interlocutors 表示该修正案“完全按我的要求出炉”。该修正案已被参议院宪法司法委员会以违宪和技术不当为由否决。
对于在巴西的中资企业,尤其是持有大额存款的企业和金融机构,这一事件直接触及存款安全与融资成本。FGC成立于1995年,旨在管理金融体系保护机制、预防系统性银行危机并保护客户和投资者。目前每位客户在受央行干预或清算的金融机构中最高获得25万雷亚尔的赔付。若担保上限被提高至100万雷亚尔,将直接惠及存款超过25万雷亚尔的企业客户,但代价是FGC储备可能迅速耗尽。底稿显示,FGC在2025年末拥有1232亿雷亚尔现金,其中406亿雷亚尔已预留用于赔付Master集团客户,随后Will金融和Pleno银行的清算使基金储备总影响达574亿雷亚尔,相当于可用总额的46.6%。这意味着一旦再有中型银行出现问题,FGC将面临流动性危机。中资银行在巴西的分支机构若持有大量同业存款或参与信贷市场,将直接面临银行收费上涨和贷款利率上升的风险,因为金融机构需向基金缴纳更多资金以维持担保水平。
CBI解读认为,这一事件的核心风险不在于修正案本身(已被否决),而在于它暴露了FGC体系的脆弱性以及银行游说政策的真实路径。底稿显示,经济学家威廉·巴格达萨里安(Ibmec教授)指出,100万雷亚尔的担保会鼓励机构以虚假的安全感提供不合理的利润,即“道德风险”。塞萨尔·贝尔戈(UnB教授)则警告,若新上限获批,可能使整个系统崩溃。CBI观察,Master银行作为事件核心方,其客户赔付预留已达406亿雷亚尔,占FGC总储备的33%,这本身就是一个危险信号。中资企业在选择巴西本地银行进行存款或合作时,应重点关注该银行的FGC缴费记录和央行监管评级,避免将大额资金集中于单一机构。此外,该事件可能加速巴西央行对存款担保制度的改革讨论,包括是否引入差异化费率或提高银行缴费比例,这些都将直接影响中资银行的合规成本和资金成本。
待观察的跟踪点包括:第一,联邦警察是否会对Master银行及其他涉案机构启动更深入的调查,以及是否会有更多银行被牵连清算;第二,巴西国会是否会重新提出FGC改革方案,以及新方案是否包含对大型存款的差异化担保或提高银行缴费比例;第三,FGC在2026年上半年的储备变化数据,特别是Master集团赔付完成后对基金余额的实际影响。中资企业应密切关注巴西央行(BCB)和FGC的季度报告,以及参议院宪法司法委员会对类似提案的审议动态。
CBI 观察编辑判断
事实层面:底稿确认修正案已被否决,但FGC储备已因Master集团等事件消耗46.6%。CBI认为,该事件暴露了巴西金融体系中的道德风险和监管漏洞,中资企业应重新评估在巴西中小银行的存款集中度,并关注央行可能出台的存款保险制度改革。
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信息概要
来源信息
- 来源
- Agência Brasil — Economia
- 原文标题
- Emenda "comprada" por dono do Master colocaria FGC em risco
- 原始语言
- 葡萄牙语
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- 编辑
- Clara Lin
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Emenda "comprada" por dono do Master colocaria FGC em risco
A 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (7), evidenciou os riscos para o sistema financeiro de se elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como propôs o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da operação.
O presidente do Partido Progressista (PP) apresentou, em agosto de 2024, uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição nº 65/2023, que discute a autonomia do Banco Central (BC).
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O texto, que ficou conhecido como Emenda Master, defende a ampliação da garantia ordinária do FGC dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Segundo a PF, a emenda foi elaborada por assessores do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e entregue a Nogueira para que apresentasse ao Congresso Nacional como sendo de sua autoria.
Em troca, o senador recebia, do banqueiro, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além de desfrutar de vantagens como o custeio de viagens internacionais, hospedagens e de despesas em restaurantes.
Segundo a PF, Vorcaro teria dito a interlocutores que a emenda “saiu exatamente como mandei”.
A emenda do senador Ciro Nogueira foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por inconstitucionalidade e inadequação técnica.
“A Emenda nº 11 é inoportuna, ao contrariar o modelo bem-sucedido na prática nacional e internacional e ao engessar no texto constitucional matéria regulatória de natureza essencialmente dinâmica e que requer a disciplina em disposições legais mais flexíveis”, avaliou o relator da PEC, senador Plínio Valério (PSDB-AM), ao rejeitar a proposta
Proteção
Criado em 1995 para administrar os mecanismos de proteção do sistema financeiro, prevenir crises bancárias sistêmicas e proteger os clientes e investidores, o FGC é uma entidade privada que, em tese, permitiria ao Estado deixar de socorrer instituições financeiras em dificuldades.
Mantido por contribuições mensais das instituições associadas, o fundo garante o pagamento de até R$ 250 mil a cada pessoa ou empresa que tenha valores depositados em instituições financeiras alvo de processos de intervenção ou liquidação executados pelo Banco Central. E cobre contas corrente e poupança; CDB e RDB; LCI; LCD; LCA; LH; LC; conta salário e operações compromissadas.
O FGC encerrou 2025 com R$ 123,2 bilhões em caixa. Desse montante, a entidade teve que separar R$ 40,6 bilhões para restituir os clientes do conglomerado Master (Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank) cujos investimentos não superavam o teto de R$ 250 mil.
Depois, com as liquidações da Will Financeira e do Banco Pleno, o impacto total nas reservas do fundo alcançou R$ 57,4 bilhões, o equivalente a quase metade (46,6%) do total disponível.
Picareta
Na avaliação do economista William Baghdassarian, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), se aprovada, a proposta de quadruplicar o limite de cobertura do FGC resultaria no encarecimento das tarifas bancárias e na possível alta dos juros de empréstimos, já que as instituições financeiras precisariam dar mais dinheiro para o fundo.
“Estaríamos deslocando parte do lucro dos bancos, de seus acionistas, para o fundo. Como um banco nunca fica no prejuízo, o efeito esperado seria um aumento das tarifas bancárias e, eventualmente, das taxas de juros, como compensação”, explicou Baghdassarian à Agência Brasil, prevendo um “efeito dominó” que afetaria todo o sistema financeiro.
O economista também destacou o "risco moral" da proposta. Segundo ele, R$ 1 milhão de garantia incentivaria instituições a oferecerem lucros implausíveis sob a falsa sensação de segurança total.
“O FGC existe justamente para socorrer correntistas de bancos que se comportem mal, seja por incompetência, seja por atos ilícitos”, explicou Baghdassarian.
“Mas também pode estimular as instituições a prometerem uma rentabilidade muito alta, minimizando os riscos do investimento com o argumento de que, até este limite, o dinheiro está protegido. É um incentivo a um comportamento picareta”, disse.
Pé na jaca
O economista Cesar Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB), concorda com a avaliação de que a elevação do limite de garantia ameaçaria a sobrevivência do FGC.
Segundo ele, até a primeira fase da Operação Compliance Zero tornar público as irregularidades praticadas pelo Master e outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB), e fundos de pensão, ninguém imaginava que, mesmo com o teto atual, alguém poderia causar um prejuízo de R$ 50 bilhões ao FGC.
“A aprovação do novo limite poderia ter colocado todo o sistema em colapso, pois deixaria o fundo sem margem de manobra para responder a qualquer outro problema no mercado financeiro”, alerta Bergo.
Para o professor, o limite de R$ 250 mil funcionou como uma barreira frente à agressividade do Master, que mesmo oferecendo taxas de retorno superiores à oferecida pelos concorrentes, enfrentava dificuldades para captar recursos justamente por não oferecer garantias a grandes investidores.
Bergo estima que, caso a emenda do senador Ciro Nogueira fosse aprovada, o prejuízo causado pelo Master teria sido, no mínimo, R$ 15 bilhões superior ao registrado.
“Não tenho dúvidas de que, se a emenda fosse aprovada, o pessoal [do mercado] começaria a propagandear que os investimentos até R$ 1 milhão estariam seguros, garantidos, atraindo mais e maiores investimentos”, acrescentou Bergo.
Para ele, havia uma distorção na emenda parlamentar: o uso de recursos coletivos para proteger investidores de alta renda que, por definição, conhecem os riscos do mercado.
“A regra é que, quanto maior o risco, maior o retorno. E quem tem R$ 1 milhão para aplicar, conhece os riscos. Então, não há dúvidas de que, se aumentassem o limite para R$ 1 milhão, as pessoas iam meter o pé na jaca, ignorar os riscos e colocar seu dinheiro, esperando um bom retorno”, avalia.
A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria do senador Ciro Nogueira, mas não recebeu nenhuma resposta às críticas dos especialistas, e está aberta a manifestações.
Repúdio
Na quinta-feira, após policiais federais realizarem buscas e apreensões em endereços residenciais e comerciais associados ao parlamentar, seus advogados divulgaram nota em que afirmam que Nogueira contribuirá com a Justiça para esclarecer que não participou de qualquer atividade ilícita.
Ainda segundo a defesa, Nogueira repudiou "qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas”, destacando que “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve.”
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