巴西资讯巴西宏观市场2026年3月29日
前巴西石油总裁警告:伊朗战争暴露巴西炼油能力短板
分享
Guerra expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras
前巴西国家石油公司总裁若泽·塞尔吉奥·加布里埃利本周指出,伊朗战争及霍尔木兹海峡风险暴露了巴西因炼油产能不足而面临的能源安全脆弱性,并预测巴西、加拿大、圭亚那将在中国和印度的原油供应中扮演更重要角色,但巴西国内炼油能力缺失使其易受市场动荡冲击。
为什么值得关注
揭示了巴西能源供应链的脆弱环节,为在巴能源投资与贸易决策提供关键风险提示。
本周,前巴西国家石油公司(Petrobras)总裁若泽·塞尔吉奥·加布里埃利在接受巴西通讯社采访时警告,伊朗战争及由此引发的霍尔木兹海峡关闭风险,正暴露出巴西深层次的能源不安全问题。加布里埃利指出,巴西在“洗车行动”和跨国石油公司压力下中断了国内炼油产能扩张,导致其缺乏满足国内柴油等需求的能力,在当前地缘政治动荡中尤为脆弱。他同时发布新书《氢能经济:未来的能源范式》,探讨能源转型前景。
前巴西国家石油公司(Petrobras)总裁若泽·塞尔吉奥·加布里埃利本周在接受巴西通讯社采访时,对当前中东局势及其对全球能源格局的影响进行了深入分析。他指出,伊朗战争以及霍尔木兹海峡可能关闭导致的石油供应冲击,如同一面镜子,照出了巴西长期存在的能源不安全问题。加布里埃利将问题的根源指向了国内炼油产能的停滞。他表示,巴西在“洗车行动”(Lava Jato)和跨国石油公司的双重压力下,中断了原本计划的国内炼油产能扩张项目,这一决策如今正使国家暴露于风险之中。
加布里埃利认为,这场地缘政治冲突将结构性改变全球石油贸易的地理格局。他分析,中东地区(如沙特阿拉伯、阿联酋、伊朗)正在建设世界主要的新炼油厂,其石油主要流向中国和印度。与此同时,世界其他三大产油国——加拿大、圭亚那和巴西——的地位将因此凸显。预计到2027年,这三个国家将共同向国际市场每日新增投放120万桶原油。无论战争与否,这都是其自身产量增长的结果,但战争显然将加速供应流向的重新配置。中国和印度拥有强大的炼油能力但缺乏充足原油,而巴西、加拿大和圭亚那的原油将在这两个亚洲巨人的能源供应中扮演越来越重要的角色。
他特别分析了巴西与中国之间的石油贸易关系。加布里埃利指出,最适合中国大型炼油厂的石油正是巴西石油,而加拿大石油则更契合中国的小型炼油厂。这种供需匹配度的提升,预计将改变加拿大、巴西和中国之间的石油关系,并进一步增加巴西在中国市场的存在感。目前,巴西已是中国的第三大石油出口国。然而,这一潜在机遇的背后,是巴西自身的结构性短板。加布里埃利总结道,巴西面临严峻的能源安全问题,关键在于没有足够的炼油能力来满足国内对柴油和汽油的市场需求,这使其在全球供应链动荡时期异常脆弱。
除了对石油市场的研判,加布里埃利也将视角投向了更广阔的地缘政治与能源转型图景。他批评美国正试图通过干预委内瑞拉和伊朗来干扰并控制全球石油市场,例如干预伊朗的目的在于夺取其因制裁而创建的平行市场。他将当前的危机称为继1973年和1979年之后的第三次重大石油冲击,认为其影响将是结构性的,不仅关乎石油,也将改变天然气市场的贸易方式。在石油市场,初期影响可能相对温和,但长期影响深远。
值此分析发布之际,加布里埃利本周也推出了他的新书《氢能经济:未来的能源范式》。该书由石油、天然气和生物燃料战略研究所(Ineep)编辑,探讨了氢能在全球能源转型中的前景与角色。这暗示着,在应对眼前的地缘政治与能源安全挑战的同时,关于未来能源范式的长远思考也已提上议程。
CBI 观察编辑判断
前高管的分析直指巴西“重开采、轻炼制”的能源产业政策遗留问题。其关于南美-亚洲原油贸易轴心形成的预判,与当前全球能源贸易东移的趋势相吻合,值得相关市场参与者关注。
这条资讯对你有帮助吗?
信息概要
来源信息
- 来源
- Agência Brasil — Economia
- 原文标题
- Guerra expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras
- 原始语言
- 葡萄牙语
- 原文链接
- 查看原文 →
- 编辑
- Clara Lin
查看原文(葡萄牙语)
Guerra expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras
A guerra no Irã e o novo choque do petróleo em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz expõem a insegurança energética do Brasil, que interrompeu o projeto de ampliação do refino no país em meio à operação Lava Jato e à pressão das multinacionais do petróleo.
Essa é a avaliação do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que lançou, nesta semana, o livro Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro, sobre as perspectivas do uso do hidrogênio na transição energética. A obra foi editada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
Notícias relacionadas:
Petrobras descobre petróleo em Marlim Sul, no pré-sal de Campos.
UE pede à ONU ação para permitir exportação de petróleo por Ormuz.
Fazenda eleva projeção de inflação para 2026 com alta do petróleo.
Em entrevista à Agência Brasil, Gabrielli destacou que os Estados Unidos (EUA) tentam interferir no mercado mundial do petróleo por meio das intervenções na Venezuela e no Irã; que a guerra vai alterar a geografia desse comércio com provável maior participação do Brasil, Canadá e Guiana na oferta do óleo bruto para China e Índia.
Porém, sem capacidade de refino para atender a demanda interna, em especial o diesel, o Brasil estaria exposto às turbulências do atual período. O ex-presidente da Petrobras ainda comentou sobre o papel das importadoras de combustíveis no Brasil e o impacto da guerra para transição energética. Confira a entrevista abaixo:
Agência Brasil: Quais os efeitos da guerra no Irã para o comércio global do petróleo e gás?
Sergio Gabrielli: Tivemos dois choques grandes em 1973 e 1979 [momentos de turbulências políticas no Oriente Médio que levaram a altas do preço do barril e sacudiram a economia mundial]. E agora estamos tendo um terceiro grande choque do petróleo que vai deixar efeitos estruturais, mudando a comercialização do petróleo, mas, mais ainda, do mercado de gás. Isso porque estamos tendo ataques às principais fontes produtoras de gás do mundo.
No mercado de petróleo, o efeito vai ser um pouco mais suave no início, mas vai ter um impacto mais longo também. Isso porque, no Oriente Médio, estão sendo construídas as principais novas refinarias do mundo, na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Irã. E o destino principal do petróleo do Golfo Pérsico é a China e a Índia.
A política americana agressiva do Trump tem claramente um objetivo de controle do mercado de petróleo. Não é à toa que o primeiro país em que ele atuou foi o absurdo sequestro do presidente da Venezuela, com a imposição de uma série de posições favoráveis aos EUA.
Isso se justifica porque há uma complementariedade entre o tipo de petróleo que a Venezuela tem e as refinarias norte- americanas, que são muito adaptadas a esse petróleo.
Por outro lado, o Irã é o segundo maior produtor do Oriente Médio, depois da Arábia Saudita. Mas o Irã tem um mercado próprio por causa das sanções americanas. O petróleo do Irã alimenta muito a China e outras partes do mundo através de um mercado paralelo criado por causa das sanções.
Com a guerra, evidentemente que essa exportação do Irã vai se alterar. Ao controlar o Estreito de Ormuz, o Irã muito sabiamente passou a permitir que só alguns passem por lá, desde que paguem em yuans [moeda chinesa].
Isso revela outra dimensão da crise relativa à utilização do dólar como unidade de negociação nesse mercado. Em suma, o mercado de petróleo vai mudar, tanto em relação ao dólar, quanto à redução do peso do Oriente Médio.
Agência Brasil: Esse era um objetivo do Trump?
Gabrielli: É, digamos, um dano colateral da guerra do Trump.
Agência Brasil: Qual é o objetivo dos EUA intervirem agora no Irã?
Gabrielli: É tomar esse mercado paralelo que o Irã criou por fora das sanções. Agora, tem os outros três maiores produtores do mundo: Canadá, Guiana e Brasil. Esses três países são determinantes para oferta nova que vem de petróleo em 2027. A previsão é que esses três países vão colocar 1,2 milhão de barris novos no mercado por dia.
Agência Brasil: Consequência da guerra?
Gabrielli: Independentemente da guerra, pela produção deles mesmo. Com a guerra, isso evidentemente vai ajudar a modificação do suprimento para a China e Índia, que tem capacidade de refino, mas não tem petróleo.
O petróleo que hoje melhor se adapta para as maiores refinarias chinesas é o brasileiro. O petróleo que se adapta para as refinarias pequenas chinesas é o canadense.
Isso vai mudar a relação entre Canadá, Brasil e China do ponto de vista do petróleo. Aumentar a presença do Brasil na China, que já é grande. O Brasil é o terceiro maior exportador de petróleo para a China.
Refinaria Abreu e Lima (RNEST), da Petrobras. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Agência Brasil: Como é que o Brasil deve se posicionar nessa nova conjuntura?
Gabrielli: O Brasil tem um problema de segurança energética. Nós não temos capacidade de refino para atender o mercado brasileiro de diesel, gasolina e gás de cozinha. A maior dependência nossa é de diesel, entre 20% e 30% do mercado brasileiro.
Para aumentar a segurança energética, tem que aumentar a capacidade de refino. O Brasil, a partir da Operação Lava Jato, inibiu a possibilidade de criação de novas refinarias. A Petrobras tinha planos de construir cinco refinarias, construiu uma. De 1980 a 2014, o Brasil não fez nenhuma refinaria nova. Em 2014, inaugurou a refinaria de Pernambuco.
Teve ainda outra campanha histórica contra a capacidade de refino no Brasil, que vem desde 1911, quando começou a discussão no Brasil sobre petróleo. Quem estava aqui em 1911 era a Exxon e a Shell.
Elas sempre controlaram a distribuição no Brasil e sempre se opuseram à expansão do refino brasileiro. Quando vem a crise, fica evidente o significado da insegurança energética.
Mas, na crise, não dá para construir refinaria porque leva cinco anos para ficar pronta. A única solução de curto prazo, e que foram adotadas pelo governo, envolvem preços.
Agência Brasil: Qual é o papel das importadoras de combustíveis?
Gabrielli: A partir do governo Temer, foram autorizados, se não me engano, quase 300 importadores de derivados do Brasil. As refinarias da Petrobras, nos governos Temer e Bolsonaro, reduziram a carga de refino para funcionar a 50% da capacidade.
Ao fazer isso, abriu-se espaço para o mercado de importadores. Quando veio o governo Lula, em 2023, as refinarias voltaram a operar com até 93% de capacidade, o que já é no limite da capacidade. Mesmo assim, não consegue atender a demanda.
Já os importadores, que seriam os equilibradores do mercado, são claramente especulativos. Eles só importam quando o preço internacional está mais barato do que o preço nacional. É preciso aumentar o preço doméstico para justificar a importação.
Agência Brasil: Como esse novo choque do petróleo afeta a transição energética?
Gabrielli: Não podemos prescindir do combustível fóssil nesse momento. Prescindir do combustível fóssil é a morte, vide o exemplo de Cuba, que está definhando por estar impedida de receber petróleo.
Pensar que é possível fechar as refinarias, fechar a produção de petróleo imediatamente é uma loucura. Como os preços vão subir, o efeito imediato é uma contração de demanda e há uma reação por mais petróleo. Mas, no médio prazo, há uma mudança de comportamento. Dessa vez, a transição energética vai aumentar no longo prazo por conta desse novo choque.
Agência Brasil: O hidrogênio verde já é uma saída para o combustível fóssil, ou ainda está no campo da promessa?
Gabrielli: Para que ele se viabilize, é absolutamente necessário que se crie um novo mercado. Hoje, o grande consumidor de hidrogênio são as refinarias e as empresas de fertilizantes.
O hidrogênio vai viabilizar a descarbonização da indústria e do setor produtivo. Só tem sentido de o hidrogênio verde crescer se nós descarbonizarmos a produção siderúrgica, o cimento, o transporte pesado, a aviação.
Como o hidrogênio é uma molécula muito difícil de transportar, a produção precisa estar junto do consumo e concorrer com o biocombustível porque, a partir do hidrogênio, pode produzir metanol e, a partir do metanol, você faz gasolina, diesel e querosene de aviação sem petróleo.
Agência Brasil: Mas já é viável fazer essa substituição do petróleo por hidrogênio verde?
Gabrielli: Só se você tiver política na demanda que leve a essa substituição. Em alguns lugares, isso já é viável hoje. Mas, no geral, a previsão dos analistas é de que o hidrogênio verde vai dominar o mercado de combustível por volta de 2035.
Agência Brasil: Não está tão longe.
Gabrielli: Pois é. Mas, para que isso aconteça em 2035, as decisões têm que começar a ser tomadas agora.
觉得有价值?
分享给需要了解巴西市场的朋友
帮助更多中国企业看懂巴西,做成生意
China Brazil Insight · 中巴合作价值链中的信息节点